Acordei já com roupas mil, cobrindo meus sentimentos pequeninos e frágeis, sai. A neblina me embaçou a visão, cocei os olhos, e lá estava : um mundo todo em cores sujas. As árvores cansadas do peso das folhas deixando elas se desgarrarem dos galhos, as pessoas tirando os sorrisos de verão do rosto e escondendo nos bolsos dos sobretudos. E o vento gelado fazendo você se lembrar o nome de cada osso do seu corpo.
Amor, meu cabelo cresceu, escureceu, e nem minhas bochechas rosam mais.
O vento vem, passa contra o meu corpo, faz minha alma reagir, acordar. A música das folhas no chão varrem minha alegria me lembrando da realidade, da tua ausencia na minha cama, e a trilha sonora escolhida a dedo do meu ipod parece nem fazer efeito. E não adianta aumentar o volume porque o vento sussura, a buzina toca, o motorista grita, as vozes ecoam, os telefones tocam, a vida continua.
Dormir meu bem, é excruciante. É encontrar comigo depois ter passado o dia me evintando, é convensar com o travesseiro e entrelaçar as minhas próprias mãos. É ver meu inconscinete gritar nos sonhos, é te ver neles todas as noites nem que seja num momentozinho, é acordar e lembrar de cada detalhe do sonho e ver que do meu lado só tem a parede, gelada.
As duas eu tomo pílulas de esperança, nas minhas gavetas você encontra pontinhas de desejo e nas bordas do meu caderno tem versinhos pra você nunca ler. As vezes chupo umas balinhas de ciúmes, tomo café quente com raiva forte, queimo a língua, me contorço pra não falar com você, pra me fazer de desinteressada, fingir que te faço sofrer, e depois da digestão, tenho gosto puro de tristeza.
Assusto umas pombas, sento num banquinho no meio do parque, olho pro céu cinza sem núvens,
e fico ali, eu, e uns senhores de bengalas e boinas na cabeça, jogando xadrez, olhando pro tempo, vendo a vida passar... Não consigo fingir, é inevitável, a dor maior é pensar em ser esquecida, substituída, é se ver ali, sozinha e puramente sozinha.
Tento fazer desse momento, bonito. Enquadro, angulo, bato a foto e te engano. Penso então nas fotos, o mural ganhando cara nova, as lembranças sendo encaixotadas e botadas lá em cima da estante, escondidinha, cheia de livros pesados em cima. As caras novas imagino eu que não demoram a aparecer, ah que sensação gostosa..e passageira. Ah Deus, como me dói pensar, te imaginar sentindo o coração saltando pela boca, o frio na barriga, a insegurança, o desejo..
Deito na grama verdinha, levemente molhada, com cheiro de esperança e imagino, sem me esforçar, você do meu lado. Deita comigo? fecha os olhos respira e ponto final
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